sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

"Artigo copiado na integra ,de uma inativa revista digital Espanhola,de seu nome SPAINBONSAI.COM "
                                                                         Publicado em 7/10/2006

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A MINHA GRANDE PAIXAO: O BONSAI

RESPONSÁVEL: O “ULLASTRE”


Por Ángel Mota (Maiorca)


A minha paixão por esta arte começou hà 25 anos ao ler um livro de bonsáis escrito pelo catalão Faus Verger. Penso que este amante do bonsái animou muita gente a iniciar-se neste mundo.


Fui presidente de um clube durante 6 anos em Maiorca, mas as minhas ideias do bonsái era vivê-lo de outra forma. Por tal motivo fundei e presidi o Clube Bonsái S`Ullastre, cujo nome diz tudo. Fui assistindo durante anos a congressos que se organizavam em Espanha, e decidi procurar algo mais interessante, fora de Espanha.


Graças a Deus eu mesmo me fiz um presente com esta decisão. Conheci verdadeiramente o que era um bonsái, soube realmente o que era um maestro(será MESTRE ?) do bonsái e conheci muitas coisas diferentes às da minha terra e, ao mesmo tempo, conheci uma grande quantidade de mestres que são hoje grandes amigos meus. A minha satisfação é que em qualquer lugar da Europa e no Japão tenho uma cama para dormir.



Um dia decidi sair fora da ilha com 2 ullastres para expo-los em GINKGO BONSÁI AWARD, Bélgica no ano 1997, todos sabemos o esforço que isto supõe. A minha alegria e surpresa foi que a maioria de visitantes ficavam admirados dos dois ullastres, o qual eu pensei que poucos ullastres tinham visto. A outra e mais grata surpresa foi quando anunciaram no jantar de entrega de prêmios o nome de ANGEL MOTA como ganhador do primeiro prêmio, Olea Árvore Grande! Este congresso tinha prêmios para três categorias: à árvore grande, à árvore média e à árvore pequena nos quais se premiavam 3 árvores para cada categoria.


No ano 2001 decidi participar em Kyoto (Japão), no concurso de fotografia em TAIKANTEN, outra surpresa 2º prêmio com a mesma árvore de Bélgica, porque em Japão só há 2 categorias, 1º e 2º prêmio.


Porquê a minha grande paixão pelo Ullastre?, Pois porque em Maiorca temos umas oliveiras milenares com umas deformações impressionantes, com uns sharis** insuperáveis. Quando me acerco de uma oliveira me transmite, antes de tudo, muitos anos de história e, ao mesmo tempo, paz, tranqüilidade e, sobretudo, a sua forma, o seu “desenho”. Isto mesmo transmito ao bonsái, trabalhando com Ullastres. Por isso digo que minha grande paixão provem das oliveiras milenares, que podemos ver em toda a costa norte da ilha.


O “campeão”, como lhe chamo eu! E as pessoas que visitam o meu jardim, dizem-me muitas mais coisas. Com o tempo, depois de dois prêmios, fui observando o porquê de sua beleza. Primeiro, começamos pelo nebari, importantísimo para um bom bonsái; segundo, pelo movimento da árvore: pela parte direita, a vida e pela parte esquerda a morte, com um shari impressionante. Chegamos ao verde, sempre que passo por adiante dele, e sem me dar conta, a vista se me perde na forma do desenho tão clássico e tão conseguido para esta árvore. A sua bandeja é todo um conjunto. Se prestardes atenção a parte viva sobe e ao cimo se projecta pela parte esquerda como dizendo “ também estou aqui”.


Quando comecei a “desenhar” esta árvore, em 1992, como podeis ver na  foto, tinha só 2 ou 3 ramos. Cada ano passado a trabalha-la, a “desenhá-la, já percebia algo que a diferenciava de outros Ullastres. E assim foi.







Aí está, para que todos aprendamos a disfrutar de sua beleza, por ser o primeiro Ullastre que cativou quase todos os que nos dedicamos ao bonsái. Ensina-nos a ver coisas diferentes a cada momento (e, a outros, que seu negócio vai melhor).Talvez tenha no meu jardim outros ullastres mais importantes, mas, a este em concreto, faço e farei todas as reverências diárias por me ter dado tantas satisfações. Também quero enfatisar que hoje em dia já há bons ullastres, iguais ou mais importantes do que o campeão, mas volto a insistir que este foi o ponto de partida para muita gente, e poderíamos seguir escrevendo linhas e linhas sobre o Ullastre.


* Organizei o Congresso de Bonsái Ilha Maiorca no ano 1998 no Hotel Palace Atenea com a assistência dos Mestres ¿ Hotsumi Terakawa, Pius Notter, Marc Noerlanders e Máximo Banderas.


* Posteriormente no ano 2003 celebrou-se o 1º Congresso Internacional de Bonsái de Oliveira. Seguiram-se o 2º, 3º e 4º, com a participação de grandes Mestres mundialmente conhecidos, e com grande sucesso.


A estes eventos chamo congressos mas poder-se-iam defenir como reuniões de uns tantos amigos amantes do bonsái já que, em definitivo, somos muito poucos os que amamos verdadeiramente o bonsái. E quando digo que amamos o bonsái me refiro a vivê-lo, respeitá-lo e trabalhá-lo com todas as regras. Se a isso se adicionar que vivemos numa ilha, mais dificil se torna trazer gente de fora Para estes eventos.


* Fui selecionado para a 4ª Edição do Mundial 2001, celebrado em Munich, como demostrador e mestre, representando a Espanha e Maiorca, com um ullastre, (por verdadeiro, com bastante polêmica, quando o bonsái é natural), mas as demonstrações com estas árvores são muito difíceis de entender se não têm verde, já que com as coníferas ao finalizar a demonstração já podes apreciar o compacto do verde e o desenho, o contrário acontece com o ullastre, tendo que se imaginar o desenho já que só nos apercebemos dos “ arames”(armações).


Tenho a honra de ter trazido à ilha grandes Mestres para apreciarem, com os poucos que amamos o bonsái, como: Pius Notter, Hotsumi Terakawa, Massimo Bandeira, Marc Noerlanders, Kunio Kobayashi, Sakuma Sato, Nobutaka Kaneko, Salvatore Liporace, Marco Invernizzi e Shinji Suzuki,em 2006. Em princípio tenho previsto trazer ao mestro KIMURA no próximo ano de 2007. Mas pensei que com as demonstrações as árvores sofrem e algumas morrem. Por isso não sei se acabarei fazendo exclusivamente ateliês porque, na verdade, uma demonstração é um show, e o bonsái é uma cultura e uma arte a respeitar.







Em 1997, em algumas lojas, já anunciavam, nas revistas de bonsáis, ”vendo oliveiras de Maiorca”!, e até hoje quanta gente está movimentando este mundo do Ullastre de Maiorca? E graças a quem? Graças ao meu esforço pessoal e a minhas andanças fora de Espanha, viajando com as minhas ullastres, e de que me sento plenamente satisfeito. Mas o que não tolero, nem tolerarei nunca, é que um grande número de pessoas na ilha, estejam arrasando os morros para recuperar Ullastres. Mas quando eu digo recuperando, é qualquer coisa (tudo vale) para mandá-lo fora. De facto, já estou trabalhando neste tema com a Consellería de Agricultura e Pesca das Baleares. Daqui aexorto todas as pessoas para que vivem o bonsái com todas suas regras ! A primeira de todas é respeitar os morros/locais com árvores protegidas. E as que não estão protegidas, que se recuperem apenas os que têm qualidade para darem, no futuro, um bom bonsái. Digo isto porque também eu no início fiz barbaridades, tirando árvores que, na verdade, nunca seriam um bom Bonsái.


Por este motivo comentei anteriormente que se está recuperando qualquer Yamadori para sua venda. Eu também vendi, mas não apenas pelo lucro. Com o tempo vai-se selecionando e quando se recupera, antes de arrancá-lo, estudo o futuro e desenho da árvore porque se não avalio estes detalhes não a arranco de seu lugar.


Todos nos equivocamos, mas também podemos corrigir.

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